Inútil
Enganei o tempo, congelei a retina, refiz caminhos, desmistifiquei as noites, entornei venenos, crucifiquei, ressuscitei auroras, inaugurei silêncios, desabitei manhãs, afoguei sentidos, instaurei o caos, voltei à ordem, vesti avessos, despi esperas, reinventei vésperas, esqueci um tanto, desacreditei, recompus. Inútil. Intacto, permaneces.

"Dreams..." - Marcyn Klepacki
Escrito por Míriam Monteiro às 17h09
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Delinqüência
Crava a tua indecente garra, na pequenêz dos meus segredos em brasa. Bebe o prazer na taça do meu ventre e traduz, em signos e dentes, a fúria da tua fome fremente. Planta tuas sementes de tempestades e ventos: pulsa, rebenta e me arrebata. Eu liqüefaço, transbordo e tu me reinventas.

"Depois de Mim" - Helder Vasconcelos
Escrito por Míriam Monteiro às 21h05
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Sensual
Arrasto-me serpente sinuosa de visgos e carícias. Lenta e lânguida vasculhando sendas. Enredo-me, enrosco-me, permeio. Provoco e lúbrica, encontro. Transbordo. Líquida, lasciva, escorro...

"Nu 91" - Robert Farnham
Escrito por Míriam Monteiro às 21h19
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Apelo
Mata minha fome de perder-me em tua boca, confundir-me à tua carne, misturar-me ao teu suor. Sacia a sede da tua língua entre os meus dentes e compõe na minha pele, versos e arrepios. Enreda os meus sentidos, faz incertos, os meus rumos. Crava, na urgência da minha carne, os teus dentes e tatua, em mim, os teus sinais.

"Femme Assised" - Andrzej Malinowsky
Escrito por Míriam Monteiro às 22h07
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Da Inutilidade do Poema
Escrevo como o náufrago, que lança ao mar um pedido de socorro sem aceno ou resposta Escrevo como quem ora a um deus em quem não crê, como o cego que adivinha cores sem as ter. Escrevo como quem tece invisíveis horas, escrevo como quem chora. Inútil, esse meu dedilhar sentimentos. Nenhuma palavra me cura. Nenhuma poesia me resgata ou salva.

"The Pillow Book" - 1996
Escrito por Míriam Monteiro às 20h29
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Secreta Urdidura
São tecidos em segredo, os meus dias. Frágil urdidura no avesso das horas, na contramão dos segundos. De secretas tramas, são feitos os meus dias. Trêmula e efêmera teia de esperas, frágil tecido de vésperas. A seda dos meus dias tece casulos de improváveis auroras.

"Vergaenglich" - Ralf Greiner
Escrito por Míriam Monteiro às 20h55
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Fractal Poema
Anjo de asas de cera, de trôpegos e indecisos passos. Anjo de estilhaços, fractal ser de cacos... Rotas asas, rotas rendas remendadas e, ainda assim, Senhor das rotas que traço, Senhor dos meus descompassos. Anjo das minhas horas desvairadas. Anjo avesso, Anjo de mim. Asas de sonho, asas de ar desenhadas.

"Sempre..." - Alba Luna
Escrito por Míriam Monteiro às 18h14
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Poema de Pedra
Palavra: Pedra que tento lapidar, cinzelar, moldar aos sentimentos todos. Rebelde, dura, bruta. Etérea, escapa. Não se deixa...

André Coelho
Escrito por Míriam Monteiro às 16h35
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De Latências e Vésperas
Teu nome, rutilante aurora, revoa sobre os restos do meu dia. Fiapo de beijo entre os meus dentes, teu nome, à espreita, à espera de bailar, urgente, entre a tua boca e a minha. Orvalhado de sussurros e saliva, o teu nome, de latências e vésperas, perpetua-se, enreda-se nas minhas vísceras e, em mim ecoa, reverbera.

Adolphe William Bouguereau
Escrito por Míriam Monteiro às 17h33
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Poema em Brasa
Quero a navalha do teu desejo, na minha carne viva, em brasa ardendo. Óbvio ou absurdo, náufrago de mim, eu te quero inteiro. Pois, onde faltas, eu transbordo e onde deserto, tu me habitas.

"Cedeste Ao Sono" - Hugo Amador
Escrito por Míriam Monteiro às 21h00
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